Porque apóio as Cotas
Não dá pra fingir que hoje somos tratados da mesma forma
Quando estava estudando no cursinho, acreditava que o vestibular não era um sistema que segrega, mas uma maneira de medir quando o cara está apto para ingressar na universidade. O problema fica pra quem não estudou o suficiente certo? Claro que não sua tonta!
Os jovens que conseguem vagas nas melhores universidades do país são aqueles que sempre tiveram recursos para investir em conhecimento, algo que deveria ser de livre acesso a todos. As escolas públicas não oferecem bases nem para os professores, muito menos para os alunos. Conseqüentemente as vagas em faculdades públicas ficam garantidas para as elites. Quem não teve estrutura para passar em uma universidade não paga, se quiser continuar os estudos terá que pagar para se profissionalizar e mais uma vez muitos brasileiros encontrarão barreiras.
Agora, voltando para a questão étnica, a maior parte dos negros esta nas classes menos privilegiadas, alguns podem sugerir que cedendo cotas que levem em consideração a renda familiar, o negro será, dessa forma, também beneficiado, então necessariamente não precisamos criar cotas para negros e afrodescendentes, mas cotas econômico-sociais.
Depois de chegar a essa conclusão, pensei que estivesse livre, só que mais uma vez o assunto apareceu na minha frente, como para mostrar que eu não estava tão certa quanto imaginava.
Segue o raciocínio que me fizeram ter:
O Brasil foi o último país a abolir a escravidão, isso aconteceu em 1888, ou seja, a um pouco mais de 110 anos, a pouquíssimas gerações!
Mesmo com o término do sistema escravista, os negros nunca tiveram a possibilidade de ascender socialmente, isso porque nunca houve políticas próprias de empregabilidade e educação. Entendam que isso é questão de cultura! Eu tenho medo de não conseguir me expressar direito, mas os poucos negros que tiveram a oportunidade de crescer financeiramente são aqueles que fizeram sucesso no campo de entretenimento. Jovens necessitam de exemplos e no meio acadêmico foram poucos os exemplos que os negros tiveram.
Como quebrar um ciclo vicioso, um do pensamento do branco que crê que o negro, ou nordestino, seja lá quem for, não tem a mesma capacidade intelectual que ele, e outro pensamento que parte do próprio negro imaginando que existem certos locais que não são para ele já que a presença da sua cor é quase nula?
Pode parecer que idéia de cotas sejam mal fundamentadas, mas após as décadas de 60 o governo dos Estados Unidos, através de medidas que obrigam universidades e empresas a selecionarem parte das vagas para negros, conseguiu diminuir significativamente a visão distorcida da sociedade quanto à importância do negro, e fez com que grande parte dessa etnia aumentasse seu poder aquisitivo. É hipocrisia dizer que lá o racismo foi extinto, mas a valorização da cultura nos meios de comunicação é outra comparada ao nosso caso onde o negro, na maior parte das situações, é retratado em segundo plano, nunca como dono de uma empresa (salvo quando é caso de herança).
O sistema de cotas, aqui no Brasil, servirá como medida “emergencial” (detesto esse termo, mas agora não penso em outro).
Se formos pensar em uma reforma descente na educação, acho que é melhor esperar... é, bem, não custa sonhar.
Faculdades que possuem sistemas de cotas admitiram que esses alunos estão na média dos não cotistas, e o abandono do curso é difícil de acontecer.
Mesmo assim, se me dissessem que a cada 10 alunos que ganham bolsas apenas 1 termina a faculdade, continuaria apoiando o sistema, mesmo porque não temos de nos apegar em números, mas sim na idéia que uma pessoa teve a oportunidade e soube aproveitar, o que de qualquer forma contribui para melhorar a qualidade de vida das nossas pessoas.
Consciência Negra na Universidade Metodista
Faculdade lança espaço para discussão da cultura africana e afrobrasileira
Com a intenção de aumentar o conhecimento da cultura africana no espaço acadêmico e na sociedade, no dia 19 de março, a Universidade Metodista de São Paulo inaugurou o Espaço Consciência Negra.
A iniciativa veio por parte das coordenadoras Lucília Pinheiros Lopes, responsável pelo Núcleo de Formação Cidadã, Claudia Cesar, do Núcleo de Artes e do Pastor Luiz Eduardo Prates da Silva, coordenador da Pastoral Universitária.
O Pastor Luiz abriu a apresentação citando: “Destaque não pode haver, nem judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um
Esteve presente também o vice-reitor da Universidade Metodista Clovis Pinto de Castro, ele saudou a iniciativa pela democratização do espaço acadêmico. “Nós não podemos pensar em universidade sem tocar no assunto inclusão, trabalho neste local à quase 26 anos, e antigamente era muito raro encontrar um negro, com os projetos de cotas nós aumentamos significativamente o quadro dentro da instituição”, afirma.
Hoje, os negros no Brasil recebem 50% a menos que os brancos. Estão entre os que menos recebem educação de qualidade, por conta desses fatores os negros representam 77% dos 10% mais pobres no país. Movimentos de ações afirmativas acreditam que o governo deve criar mecanismos de inserção do negro na sociedade como já foi feito nos Estados Unidos com sucesso na diminuição do preconceito étnico e aumento do desenvolvimento da população negra.
Claudia Cesar, espera que o núcleo seja um local para discussão de ações afirmativas que garantam a mudança da visão de muitos alunos quanto a diferenças étnicas. “Esse será um espaço de diálogo e não físico, a idéia nasceu em 2006, quando passamos para os alunos que assistiam a matérias eletivas o filme ‘Vista a minha Pele’, e percebemos que o impacto foi grande”.
A principal idéia do Espaço Consciência Negra é criar grupos de trabalho que promovam a inclusão social do negro, que aumente a divulgação da cultura negra e a importância das raízes na história do Brasil. Os participantes discutiram que é inevitável levar em consideração a interpretação mal feita na sociedade pelos costumes e religiões africanas, e que isso se reflete no tratamento dado ao negro em nosso país.