* Nota*
Já faz algum tempo que eu publiquei aqui no Hoje em Dia uma matéria a respeito da utilização do Gás Natural como alternativa aos combustíveis menos agressivos à atmosfera.
No texto eu descrevi que segundo especialistas o Gás Natural é menos poluente do que o álcool combustível.
Na verdade essa informação deveria ser complementada, pois apesar do Gás natural emitir menos CO2 ao ser queimado do que o álcool, de qualquer forma a utilização dele irá prejudicar mais ao planeta.
A queima da cana-de-açúcar, ou do álcool produzido a partir dela, emitirá sim mais CO2 do que o Gás Natural, porém durante o crescimento da safra seguinte o CO2 livre na atmosfera será resgatado restabelecendo o equilíbrio entre a emissão e captura através da fotossíntese.
Exportação do Etanol - I
A substituição do petróleo pelo álcool promete aumentar nos próximos anos. Mas será que esse processo ajudará na diminuição do aquecimento global e na economia brasileira?
Mesmo com tantos cientistas alertando, não é perceptível nenhuma alteração significativa na sociedade como um todo. Mas os governos dos países da União Européia e dos Estados Unidos já estão implantando processos de substituição da gasolina pelo álcool, não totalmente, mas em porcentagens que ajudem a frear o aquecimento global nos próximos anos e, no caso dos Estados Unidos em especial, a dependência do petróleo de países hostis a sua política.
Para que na frota automotiva mundial o petróleo seja substituído por completo pelo álcool, teríamos que produzir cerca de 2,1 trilhões de litros ao ano, ou seja, 125 vezes o que o Brasil produz atualmente.
Sabe-se que a cada litro de álcool a ser produzido, são necessários 30 litros de água.
Clima, grande reservatório de água, tecnologia e espaço. O Brasil já tem as condições ideais para se tornar um dos maiores fornecedores de biocombustível no mundo.
No entanto especialistas alertam que a meta de alcançar sempre um alto superávit primário não é saída para o país alcançar o tão sonhado desenvolvimento economico e social.
Segundo o jornalista e escritor uruguaiano, Raúl Zibechi, a região da América Latina está deixando de investir no setor mais importante que é o de tecnologia e por conta disso continuará dependente de outras economias mais fortes. No seu texto intitulado “A segunda onda neoliberal”, ele escreve:
“Mais recentemente vemos alguns países líderes como o Brasil se oferecendo para ser grandes exportadores de biocombustíveis. Trata-se de uma reprimarização das exportações após uma crise que deixou o aparato industrial da região desmoronado e vulnerável.
A região, em seu conjunto, tende a converter-se em provedora de commodities ao mundo desenvolvido, tanto aos Estados Unidos e Europa, quanto aos países asiáticos emergentes.”
Não só o governo Lula no Brasil está investindo no plantio de fontes energéticas, Néstor Kirchner na Argentina e Tabaré Vázques no Uruguai também estão aumentando os cultivos de transgênicos e instalando fábricas de celulose que podem fornecer biocombustíveis.
Não é por acaso que a comitiva de Bush visitou a estes dois países também.
Continua...